Há pouco tempo eu e alguns
dos membros do grupo oCerebelo
iniciamos um projeto num asilo (chamado Casa do Sol) na cidade de Santos-SP. A
proposta baseia-se em visitar a instituição mensalmente levando pela música e por
bate-papos com os idosos um pouco de entretenimento àquelas pessoas que tanto
já contribuíram com nossa sociedade. Cada um de nós mantém esse projeto de
acordo com um sentido pessoal ou por uma aspiração muito forte, mas que de
qualquer modo não é necessariamente o mesmo.
Eu posso falar o que esse projeto
tem representado para mim. E para ilustrar isso eu vou me utilizar de dois
exemplos... O primeiro vem da televisão. No último sábado (17/09)
eu assisti uma entrevista com as atrizes Eliane Giardini e Eva Wilma no
programa Estrelas, da apresentadora
Angélica. No ponto alto da conversa foi citada uma frase muito importante para
esse post:
“Eu fico triste quando encontro uma pessoa
mais velha e que não tenha sabedoria, porque é como se essa pessoa tivesse
recusado o destino dela”. - Eliane Giardini
Sempre pensei de forma muito semelhante, mas provavelmente
jamais me expressaria tão bem quanto esta excelente atriz o fez. Aprendi um
pouco mais nessa oportunidade... Foi só ficar calado e degustar cada palavra.
O segundo exemplo vem da
bíblia, no relato do livro dos Reis I sobre Roboão, o
filho de Salomão. Uma situação que ocorreu há muito tempo, mas que eu considero
atemporal. Roboão quando da sucessão ao trono de seu pai, bem poderia ter dado
ouvido aos sábios anciãos (que outrora de igual forma aconselharam o rei Salomão)
e aliviado os altos impostos que vigoravam em Israel, contudo ele preferiu
atentar às opiniões de seus jovens amigos, aumentando ainda mais os impostos do
povo, e viu-se rapidamente isolado no reino de Judá (reino do sul) devido à
revolta popular instaurada em Israel (reino do norte).
Exemplos à parte é incrível
o quanto todos nós, sejamos evangélicos ou não, não damos o devido valor
àqueles que têm experiência e conhecimentos acumulados. Eles, os idosos, muitos,
estão dispostos a compartilhar de sua sabedoria para indicar o “caminho das
pedras” a alguns incautos pouco experientes. E é papel da igreja reverter esse
quadro também. Os jovens têm força e disposição, têm astúcia e sagacidade. Mas
os mais velhos conseguem prestar atenção ao que eu e você jamais veríamos numa
primeira análise. Distinguem diferentes tons numa conversa aparentemente pouco comprometedora
e anteveem riscos certamente iminentes. Você, possivelmente, já deve ter
presenciado algo assim.
Eles falam mais lentamente,
andam mais lentamente, tem sua capacidade de audição e visão diminuídas e é se
submetendo à condição deles que você vai aprender um pouco mais sobre o tempo e
sobre vencer os desafios da vida. Não adianta nem é necessária tamanha empáfia da
nossa parte. Poucos são os que chegarão a ser idosos, mas lembre-se que se você
chegar lá deve estar preparado a ser uma voz, alguém a quem os jovens possam se
amparar, pedir conselhos. Enfim... Saiba que envelhecer faz parte, mas que, além
disso, você saiba aprender com os nossos velhos a como envelhecer e não negar o
seu destino... Ser sábio.
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