Eu
acredito que a maioria das pessoas no nosso país são fãs do seriado Chaves (na
versão original em espanhol: El Chavo del Ocho). E penso isso, primeiro, pela
sensação com a qual as pessoas que me rodeiam passam e segundo, óbvio, pela
incansável retransmissão dos episódios veiculados pela emissora de televisão SBT (ou seja, só um programa com tão boa audiência para permanecer por tanto tempo
no ar, desde 1971). Além disso, na internet são vários os sites que apontam o
sucesso dessa série como estatísticas de ibope, imagens de camisas com os
personagens e etc. E é exatamente essa capacidade do seriado de cativar as
pessoas de forma que assistam por diversas vezes o mesmo episódio, que me chama
atenção. Outro fator muito interessante é o fato de não se identificar piadas
de duplo sentido, encontradas facilmente em outros programas humorísticos
(inclusive programas humorísticos infantis, como “A turma do Didi” e outros que
apelam para piadas maliciosas para fazer humor).
Quando
eu assisto algo que contenha malícia ou baixaria inconsequentes eu entendo que
o humor já se torna apelativo o suficiente para não nos convencer por muito
tempo, como Chaves o faz (exibido por inesgotáveis quatro décadas).
Por
causa desse contexto inicial todo que emerge o assunto do momento: Rafinha
Bastos. É claro que eu não vou ser ingênuo e arrogante para execrar a figura do
Rafinha Bastos, julgá-lo com o mesmo peso como se ele fosse um homicida, um
bandido ou como se fosse a pior pessoa do mundo porque ele não é nenhuma dessas
coisas. Mas ele cometeu um erro (com consequências como qualquer ato). A
consciência coletiva das pessoas que assistiram a sua fala leva a essa
conclusão e é improvável que essa unanimidade seja burra, pois a condenação
desse comentário une pessoas de ideologias distintas o suficiente para ser
considerada relevante.
Errou
e pronto. Entretanto as coisas não se desenrolaram (e nunca se desenrolam) da
maneira mais simples. A coisa mais fácil a ser feita seria admitir o erro e
pedir desculpa afinal a mente desse tipo de artista (humorista da modalidade de
stand up) está condicionada para captar
em frações de segundos qualquer coisa que possa ser engraçada e rapidamente
formar uma piada sobre isso e, portanto, o público entenderia a incapacidade
momentânea do artista de se autocensurar. Rafinha Bastos fez o oposto,
tripudiou em cima do fato que ele mesmo criou. Numa oportunidade, emitiu
através de sua conta no twitter várias fotos que destacaram sua indiferença com
a punição recebida pela rede Bandeirantes. Em outro momento, com a contribuição
de um site de humor (jacarebanguela.com.br) fez um vídeo (numa churrascaria com
vários trocadilhos como “baby bife”, “fraldinha” e por aí vai) em que o
objetivo final era mais uma vez fazer sarcasmo com todo o ocorrido.
Rafinha
Bastos está possivelmente deslumbrado com o sucesso abalizado pelo jornal The New York Times, que noticiou que o
brasileiro é o usuário mais influente do twitter, está vislumbrado também com a
fama combinada de televisão-internet-shows. E provavelmente por isso ele considere
impossível abdicar um pouco de seu orgulho e de seu ego para admitir seus
erros.
Por
fim, eu tenho que admitir a origem da minha inspiração para esta postagem, um
comentário do ator Fábio Assunção postado em sua página no facebook a qual divulgo a seguir:
“Eu repudio, de todas as maneiras e em nenhum
caso, qualquer manifestação que provoque constrangimento à qualquer pessoa,
seja o motivo que for. Imagino o desconforto do público tendo que engolir um
alimento tão estragado e enjoativo, levado a acreditar que isso é bacana. O que
é perecível passa, não resiste ao
tempo. E é um desafio de gente grande, de grandes artistas, não preterir a
inteligência ...e o bom gosto quando os risos estão sendo conquistados com tão
pouco, com migalhas, por um público com a crítica ainda em formação. Isso para
mim traz à discussão que existem tarefas muito mais grandiosas para um artista
brasileiro hoje, além de fazer sua própria arte. Há um público a ser
conquistado, carentes de humor, que merecem outro approach, consideração e
encaminhamento”.
A palavra perecível (destacada
em negrito no texto) foi sabiamente usada pelo ator global e passa exatamente o
conceito que deve ser aprendido e reaprendido por todos nós a fim de
entendermos nossas limitações e o dever de respeitar o próximo, facilitado
quando nos colocamos no lugar do outro — a tal da empatia.
O bom e " verdadeiro " humor permanece para sempre ( Chico Anysio, Tom Cavalcante, Mazzaropi, Ronald Golias, Chaves, Costinha e etc ). O humor de " momento " é transitório, vira modinha e vai-se com o tempo.
ResponderExcluirFalow td, e uuuffa!! achei que o Marcelo ia citar o Ary Toledo...kkkkkkkk
ResponderExcluirOs que eu citei julgo terem feito um humor que permanece; os anos passam e os personagens de Tom e Chico são lembrados constantemente. Tenho dúvidas se o tipo de humor que é feito pelos " humoristas ' de hoje, será lembrado na mesma proporção que os humoristas que citei.
ResponderExcluirPS: Ary Toledo é sacanagem, rsrsrs
Isso me lembra também do caso do Charlie Sheen. Ótima matéria!
ResponderExcluirAprendam com os mestres do humor: Batoré, Alexandre Frota, Carlos Alberto de Nobrega...
ResponderExcluir( Dilma Rousseff, em um de seus discursos como Presidenta )
apezar de tudo isso, toda essa polêmica sobre esse assunto me cheira muito mal..paz e bem..
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