Umas palavrinhas sobre... (2)




Cantar ou não cantar músicas do Michael Jackson?

Há três semanas o jovem Jotta A (Alcunha para José Antônio) está fazendo um tremendo sucesso no programa Raul Gil (SBT). As principais características dele e que chamam atenção são: a sua pouca idade (12 anos); seu belo timbre; técnica e alcance vocal. Tais características levaram um dos jurados mais crítico e consagrado do programa, José Messias, a comparar o jovem fenômeno ao falecido cantor e astro pop Michael Jackson.

Pronto, foi isso acontecer para milhares de "fãs" da jovem promessa (evangélico, por sinal) a se sentirem donos do rumo da recente carreira televisiva do menino e pedirem ou quase impor suas vontades para que o garoto não cantasse canções de MJ. Para isso utilizaram mídias sociais como Twitter, Facebook ou mesmo postando comentários em vídeos do Youtube.
Muitos alegam que MJ teria apostatado da fé para seguir uma carreira secular e que Jotta A não deveria trilhar o mesmo caminho, mas ser um emissário do evangelho.
Pontos de vista de lado vamos aos fatos.
Primeiro: o programa e o quadro no qual JA vêm competindo é um espaço não confessional e embora o garoto venha adotando uma linha de só cantar hinos (evangélicos) sem nenhum impedimento da direção do programa nada o impede também de cantar músicas seculares.
Segundo: Michael Jackson nunca foi evangélico. Sua biografia, espalhada em sites na internet (wikipedia), divulga que durante sua infância e adolescência turbulentas frequentou as Testemunhas de Jeová (por nós evangélicos considerada uma seita). Portanto o argumento de que ele apostatou da fé não cola (ele nunca foi cristão/evangélico). Outra que não há no repertório de MJ múiscas que sejam profanas (Madonna), promíscuas (Lady Gaga), demoníacas (Marilyn Manson), enfim... A imensa maioria de suas músicas fala sobre questões ambientais, racismo, romances e etc.
Se sou fã do MJ? Claro que sou, porém sem deixar de reconhecer seus defeitos como reconheço os meus.
Por outro lado, o espaço que o menino tem é incrível e ele realmente pode utilizá-lo para evangelizar o Brasil, o mundo e tudo mais, porém não há pecado em cantar uma música secular, observados letra e contexto. A música é expressão da alma... Uma poesia nos lábios e cordas vocais de quem o sabe fazer. A arte, de um modo geral e na minha visão, reflete um estado de espírito, uma percepção, um deslumbramento com alguma situação que é retratado pelo artista que os demais mortais jamais notariam. Concordo que num culto as músicas seculares não tem espaço até pela finalidade do culto que é adorar/louvar ao Senhor Jesus, contudo toda a manifestação que eu tenho visto e ouvido me "cheiram" a um comportamento recalcado e que esconde muito destas pessoas... Algo como "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".
Estou certo de que muitos desses (não posso generalizar, mas as pessoas que costumam regrar a vida alheia não costumam cuidar de suas próprias vidas) desses que não querem que o menino cante música não evangélica fazem download ou compram filmes piratas, compram fiado nas cantinas das igrejas e não pagam, veem filmes pornôs e etc. Mas Jotta A não pode cantar Michael Jackson...

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